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Volta e meia recebo mensagens na caixa de e-mail, principalmente da Cake Mania. Pessoas com dúvidas, que viram o que eu faço e "ai que giro", e "como começaste?" e "como é que eu faço também?" e "onde foste?", e "que cursos tens?" e "dás workshops?" e "estou a pensar fazer algo do género" e "dicas?" e "é fácil?" e "dá trabalho?" e "estou a pensar mudar de vida",  "dá-me um conselho", "por onde devo começar?"....and so on....

 

E eu que sou uma Gaja que acha que todos merecem resposta, dou. A melhor que posso. Baseada na minha experiência pessoal, explico que nem tudo é um mar de rosas. É díficil, sim dá trabalho, não, não tenho nenhum curso. Indico alguns locais onde podem obter formação. Que não, não a dou. Que cada caso é um caso e o único conselho que posso dar é que personalizem ao máximo o trabalho, coisa que sempre tentei fazer. Que não copiem. Que não existem fórmulas mágicas.

E nisto "perco" alguns minutos do meu tempo, que somando todas as mensagens que já recebi ao longo de um ano e tal, já representam umas horas valentes.

 

Resposta do outro lado? Vejo algum tipo de feedback aos minutos "perdidos" com aquela pessoa? Nem por isso. Não querendo estar a exagerar, penso que apenas 2 ou 3 pessoas responderam e acreditem que a quantidade de mensagens é substancialmente maior do que o número 3.

 

O que me leva a pensar numa entrevista que vi uma vez da Daniela Ruah num qualquer canal de televisão. Onde ela falava precisamente de tudo isto. De pessoas que se chegavam a ela com perguntas do género às quais ela não sabia bem como responder, pois a sensação que lhe dava era que pensavam que todo o processo tinha sido muito rápido e fácil. Nunca poderia ser uma resposta rápida. Viram-na em meia dúzia de episódios de uma série Norte Americana e deviam ter achado que ela tinha caído ali de pára-quedas nunca imaginando sequer todo o caminho duro que ela teve de percorrer até chegar lá.

Que nunca foi perguntar a ninguém como fazer, fê-lo à maneira dela com todos os riscos que poderia correr. Mas fê-lo.

 

É que isto de olhar para o sucesso ou resultados obtidos ou progresso dos outros é fácil. O difícil é ter a coragem de percorrer um caminho para lá chegar também.

Lembro-me de aqui há uns anos, num café que frequentávamos todos, malta jovem na altura, todos gostarem muito de falar do Mercedes do dono do café. E que ele é que vivia bem e barbaridades do género. Lembro-me também de um dia os ter calado a todos, quando nos estávamos a preparar para seguir para um bar qualquer de ter apontado para dentro do café e mostrar-lhes o dono a varrer o chão, devia ser 1h da manhã. "Enquanto uns se divertem, outros varrem o chão....e têm Mercedes". Penso que a partir desse dia olharam o chão do café com outros olhos....

 

Incomoda-me o comodismo de certas pessoas. O conformismo. O ficarem com o cu colado no sofá à espera que a vida mude. O olharem de esguelha para a vidinha dos outros e pensarem : "mas como é que aquele cabrão consegue?". O estarem à espera de respostas fáceis, de fórmulas mágicas, de descobrirem "o segredo do negócio".

Pois desenganem-se caras pessoas. A existir fórmula, chama-se trabalho. Muito. O talento a existir, por si só não faz milagres. E força de vontade, muita, também é preciso.

Irei chocar algumas pessoas (as tais) com o que irei dizer a seguir: quando olharem para o meu trabalho, para as minhas fotos, tenho a confessar que o que vêem é apenas, e por vezes nem isso, um terço do trabalho. É que nem vos passa pelas cabecinhas as voltas que tive de dar até chegar ali, ao trabalho que deu, ao tempo que gastei. A uma simples foto. Estranho não é? Eu sei que pensavam que o talento fazia nascer coisas num tampo de uma mesa e eu apenas fotografava. Mas não.

Irei ainda chocar-vos mais ao confessar que em alguns sábados, tenho de começar a trabalhar bem cedo para que os meus clientes possam divertir-se ao máximo nas suas festas de aniversário à noite. Noites essas em que por vezes vejo o relógio a passar das 3h da manhã e não posso ir dormir enquanto não acabar as encomendas de domingo. E nos outros dias quando não há encomendas para fazer? Lá tenho eu de ir às compras, contactar com fornecedores, clientes, pesquisar, ter ideias. Que chatice não é?

 

"Ah e tal Gaja, mas agora até já tens um atelier e tudo!"....Pois tenho (temos) e garanto-vos que sem esforço absolutamente nenhum. Só evitámos contratar alguém para fazer obras e o Rapaz da laranja enquanto esteve cá de férias (mas nas férias trabalha-se?) chegou a ter dias em que o pó de gesso do pladur quase lhe chegava às cuecas. Em que ficou com um braço feito num oito por causa de pegar em pesos sozinho. Em que no dia em que volta para as Áfricas e com os minutos contados para seguir para o aeroporto, ainda andava a colocar projectores. Que se farta de trabalhar fechado quase todo o dia num escritório com centenas de colegas, longe da família, de tudo e de todos, que come sandes manhosas ao almoço e vê televisão à noite.

Haveria tanto a falar sobre o atelier....

 

"Ah e tal Gaja, mas tu, vendo bem és patroa de ti própria. Mandas nos teus horários"

 

É um facto. Mas.....

 

....Querem que vos conte de novo a história do Mercedes e do dono do café? ;)

 

 

 

 

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22 comentários

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De o Rapaz da Laranja a 17.11.2010 às 06:24

huumm...?!
então Sra. Dona Gaja... ahhh! quer dizer que é mesmo verdade... que é só no dicionário que o "sucesso" vem antes do "trabalho" ?!
só não posso deixar de referir que se há coisa bonita é o teu sorriso quando, no final, depois de entregares cada trabalho, verificas a expressão de agrado de quem o recebe... isso "paga" muita coisa, para ti e para mim, paga e muito :)
(mas... olha, agora vou só ali ver se tb consigo convencer os Srs. do Stand da Mercedes a darem um carrito pró Natal a troco de sorriso :P )
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De marta a 17.11.2010 às 12:46

Pela primeira vez desde que sigo o teu blog (há anos já) vou comentar e apenas com uma palavra: brilhante!
Boa sorte para tudo!
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De Sofia C. a 17.11.2010 às 13:27

Eu por acaso tenho mto orgulho em ti mesmo sem te conhecer.
porque acho que o que tens conseguido tem sido resultado do teu esforço e entrega.
e mesmo qdo ainda cuidavas dos velhotes e fazias os teus bolos achava que eras de raça!
e agora com barrigão então...idolatro-te!
tenho uma eva com 5 meses e só eu sei quanto custa trabalhar de barrigão(apesar de acharmos que somos super-mulheres e que podemos tudo). por isso compreendo as perguntas das pessoas, mas também sei que és uma mulher de fibra!
o sucesso sempre fez muita inveja aos outros!
bjinhos mãezona
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De Carluxa a 17.11.2010 às 15:23

Ahhhh pois é!! Essa história de sermos Patroas de nós mesmas tem muito para contar, muito mesmo.
Da minha parte, lembro-me das noites mal dormidas, a fazer contas, a pensar como iria pagar a Segurança Social, o IVA e o resto das despesas, quando os clientes se atrasavam nos pagamentos.

Será que se arranja um tempinho na tua agenda para eu ver essa barriguita?!
Beijinhos da Carluxa (tou com saudade tá?!!!)
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De Gaja a 19.11.2010 às 00:23

Já andamos a tratar de algo...
Notícias para breve :)

Beijinhos!
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De o Rapaz da Laranja a 17.11.2010 às 16:16

eh páaaa...
desculpem usar este Blog para pedir isto, mas é que os comentários ao Post aqui da Sra. Dna. Gaja (quase Mãe efectivamente e super trabalhadora) lembrou-me de uma coisa... como é que se poderá entrar em contacto com os leitores e fãs desta "casa" ??? é que era só para pedir uma coisinha para um destes dias... hehe...

o Rapaz da Laranja

(p.s.: não digam nada à autora... obrigado)
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De Helena a 17.11.2010 às 16:59

Gostava de lhe ser útil e prestável, mas diga-me, se responder ao seu comentário, como estou a fazer agora, a Gaja não vê?
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De paula a 17.11.2010 às 16:57

....muito bem dito
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De Helena a 17.11.2010 às 17:06

É assim mesmo, mulher de fibra, de acção.

Se as pessoas invejosas trabalhassem mais em vez de se lamuriarem, de certo que conseguiam mais coisas e tirariam proveito do fruto desse trabalho.

O meu marido já foi patrão dele próprio e agora trabalha por conta de outrém , é, seguramente, mais fácil, mais cómodo e menos trabalhoso não ser o patrão.

Sucesso, é o que lhe desejo.

Um beijinho
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De Patrícia a 17.11.2010 às 22:06

Eu sei bem o que é isso, recebo mails e comentários do género:"Ai que é tudo tão bonito, ai que eu gosto tanto e quais são os materiais que usas, onde compras, onde aprendeste, o que é feltro, o que é uma agulha e como ela cose?"(E olha que já recebi um mail a dizer que adorava fazer porta-chaves mas que não sabia coser!)E eu respondo sempre e explico e depois achas que recebo um obrigadinha?
Pois é trabalhar dá trabalho e há muito boa gente que ainda não reparou nisso...
Boa Sorte para todos os projectos!:)
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De Isaspas a 18.11.2010 às 11:55

EXCELENTE POST. P A R A B É N S. Se não te importas, subscrevo tudo que dizes, tá???

Continuação de sucesso.
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De diarioarev a 18.11.2010 às 16:32

Comodismo e conformismo muito bem dito! Tomara eu ter a sua coragem e lançar-me, votos de muito sucesso!!!
Depois há aquele ditado: "Se tens inveja do meu viver, trabalha malandro! :) A inveja ás vezes é mesmo fadida!
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De Fátima Bento a 15.12.2010 às 08:49

a inveja é sempre f@did@... o que vale é que envenena mais quem a sente, de que o alvo da mesma... digo eu... embora às vezes ponha este facto em duvida =oP
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De diarioarev a 15.12.2010 às 11:05

Há gente mesmo má, má meeesmo pronto e ás vezes mesmo sem querermos conseguimos despoletar essa "inveja" e há gentinha capaz de fazer coisas mesmo mázinhas pelo simples prazer de prejudicar os outros, é de fugir!

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