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...Depois, claro, nada é do que estávamos à espera. Acho que nada nos prepara para a chegada de um bebé às nossas vidas. Talvez por prever isso mesmo não participei em nenhum tipo de aulas de preparação para o parto, li alguns artigos sobre o assunto e fiquei por aí mesmo. Ouvi sim, várias opiniões, contaram-me experiências, avisaram-me para descansar ao máximo antes do nascimento do bebé, disseram-me muitas vezes a frase "a tua vida vai mudar e muito, prepara-te", e eu dizia que sim, que tinha noção disso. Mas nada, mesmo nada nos prepara e nos dá a real dimensão do que será a vida depois do parto.

Tudo muda. Lembro-me do dia em que chegámos a casa, bebé na alcofa, ai que lindo, bonitinho, fofinho, ai que alegria. Sentámo-nos a almoçar às 3h da tarde e passados uns 5 minutos bebé a chorar. HUMMM?? Como é possível?? Então isto agora vai ser assim? Uma gaja já nem pode almoçar? Só tinha dado tempo de enfiar umas 3 batatas fritas na boca! Ora bolas!

E depois é isto. Chega-se à noite, um cansaço extremo, habituada durante toda a vida a dormir uma noite inteira apercebo-me que a brincadeira acabou. Dorme-se mal, e o que se dorme é sempre num estado de alerta.

 

A recuperação (lenta) da episiotomia foi outro factor para me deixar à beira de um ataque de nervos! Não arranjava posição para nada. A dormir tinha dores, sentada tinha dores, a andar tinha dores, se espirasse mandava um grito a seguir. Tinha vontade de andar ao estalo a toda a gente e quando me diziam a frase "ninguém te disse que ia ser fácil" começava a rosnar.

Depois surgem as opiniões daqui e de acolá. Ai mete-o assim, ai mete-o assado, ai isso é fome, ai isso é sono, ai devias fazer assim. Então médicos e enfermeiros, cada um caga a sua posta. Bardamerda para eles todos, pois logo durante o primeiro mês de vida do bebé desconfiava que ele ficava com fome mas com esta história agora do aleitamento materno e blablablablabla (sim, porque pela OMS uma mãe que opte pelo leite artificial fica quase conotada como uma criminosa), insisti e insisti em dar peito à criança. Resultado: quando completou um mês de vida estava exactamente com o mesmo peso com que nasceu. Porreiro não? Pois, não.

A partir daí jurei a mim mesma, em primeiro lugar, a confiar no meu instinto. Começou com o leite artificial e BUMMM, teve um pulo de crescimento brutal. Passou a dormir melhor, a estar mais tranquilo. Ainda hoje não me perdoo por ter ido na "conversa" de médicos e enfermeiros durante um mês e não fazer aquilo que eu achava correcto.

 

E o bebé? Pois...o bebé. Sim, é um facto que quando nasceu senti de imediato um amor enorme por ele, que aliás já sentia ainda ele estava na minha barriga. Penso que essa seja a base do que aí vem mas....não me lixem!...ouvir/ler coisas como já tenho feito, de mães que no momento do nascimento dizem "aiiii esta é a minha vida, a razão do meu ser, amo-te até ao fim do mundo, conheço-te como a palma da minha mão..." Não. Não conhecemos! Que disparate. Na maternidade ainda estamos todas numa fase de deslumbramento a adorar os meninos mas depois cai a ficha. Chegamos a casa, olhamos para eles deitados naquele lugar que ainda há uma semana atrás estava vazio e perguntamos: "olá..quem és tu?". Começam a chorar. Não sabemos o que fazer. Ainda não conhecemos as suas manhas, preferências. A casa ganha novos sons, rotinas ou falta delas. "oi? o que é isto pá?" perguntamos algumas vezes e outras ainda paira nas nossas cabeças a frase "mas porquê que me fui meter nisto?!"

 

Ainda o estou a conhecer. E ele a mim. É um processo moroso, previsto a durar uma vida inteira. O amor esse aumenta uma média de 3 kg por dia com tendência a aumentar. Acho que me tornei uma melhor pessoa, o meu rapaz diz que sim, que ando mais bem disposta. De manhã quando chego ao berço e ele sorri para mim digo-lhe um bom dia cheio de som (nunca gostei de dizer bom dia a ninguém, não perguntem).

Foi comigo que começou a palrar, canto para ele e ele ri, foi comigo que deu a primeira gargalhada e eu outra a seguir.

Já fez 4 meses e hoje vou tentar dar-lhe a primeira papa. Amanhã conto como foi :)

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5 comentários

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De Genny a 07.06.2011 às 09:39

Sabes que me aconteceu o mesmo? A minha filha chorava e lá na maternidade ainda "gozavam" da inexperiência da mãe e bla bla bla. A miúda tinha fome!!! Comprei o suplemento e tungas, miúda feliz de barriga cheia!
Mas deixa tantas saudades esse tempo!
Um xi-apertadinho para o Dinis
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De Gaja a 07.06.2011 às 17:35

Pois, são as tais coisas...às vezes vamos na conversa e olha. Mas serve de lição :)

Se deixa saudades tens bom remédio! ;))

Bj da Gaja
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De Helena a 07.06.2011 às 10:15

Agora é que o Dinis vai lamber-se, se gostar da papa, claro.

Faz um relato muito realista dos primeiros tempos em casa com um bebé, é que é tal e qual.

Beijinhos
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De Gaja a 07.06.2011 às 17:36

E ele até gostou. Engraçado que quando viu o prato ficou todo contente. Deu-lhe o cheiro secalhar eheheh

Bj da Gaja
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De mimi a 27.06.2011 às 16:48

Olá e parabéns...
Revi-me totalmente na parte da "mama".
A minha história foi um pouquito pior e se quiser andará algures no meu blog... : ), mas...nada de esmorecer, pr´á frente é que é caminho , e eles "anafam " de qualquer maneira, por isso....
Boa continuação para o seu Dinis, que o meu ( sim...tb. é...) já conta quase com 5 endiabrados anos e não para de me pedir um mano..." oh Lord...tudo de novo...mas é sempre por uma boa causa...lollll!!!!
Beijinho

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