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26
Mar12

 

Por vezes vou lendo ou ouvindo pessoas por aí a questionarem-se : "será que devo ter filhos, será que a minha vida vai mudar muito? será que estou preparada(o)?" E a minha resposta a questões do tipo e por ordem de chegada é: só tu é que deverás saber, vai mudar muito, não, não estás preparada(o).

 

Na primeira semana após ter o meu filho em casa pensei para mim: ah...espera....isto agora vai ser sempre assim, certo? Tipo, isto não é uma experiência "a vida é bela" com prazo de validade....ah....pois....

Na verdade, e após 1 ano de experiência desta coisa fantástica que é a maternidade aquilo de que mais sinto falta é da minha liberdade. Aquela liberdade egoísta sabem, aquela que nos permite fazer aquilo que nos apetece, às horas que bem entendemos. Tenho saudades de num fim de tarde decidir ir sair com o meu rapaz, sem hora para voltar, de ver um filme do princípio ao fim, de pouco me preocupar com sopinhas e papinhas e frutinhas.

Aquilo que sempre vos disseram, pessoas que não têm filhos, de que não é fácil, sugiro-vos um exercício: ampliem essa frase na vossa cabeça ao máximo e talvez consigam entender melhor do que vos falam. Comigo foi assim, sempre me disseram isso, mas é certo que também não é fácil um primeiro dia num emprego, arrancar um dente, fazer um exame na escola, sendo assim era essa a interpretação que eu fazia dessa frase. Não ia ser fácil. Ok.

 

Nesta fase do texto, parece-me bem e cliché quanto baste, falar-vos das compensações. Essas de que tantos falam. De como é bom ver um sorriso dos filhos, um abraço deles, de vê-los bem e felizes. Do amor sem tamanho que se sente por estes seres pequeninos...etc...etc...etc...

 

Mas depois acontece algo como o que acabou de acontecer neste exacto momento em que escrevo isto....o pequenino mandou (mais uma vez) a chucha para o chão, fora as outras 78 vezes que o fez ao longo deste dia. Fora as outras coisas que atirou para o chão, fora as birrinhas que vai fazendo, fora a diarreia de ontem em que tivemos de o limpar de alto a baixo (sim...as previsões das viroses e o caneco que iria apanhar na creche deram certo, obrigada), fora a dificuldade que tem em adormecer, fora as noites mal dormidas...fora...fora...fora....

E atenção que estamos a falar de uma criança que de um modo geral nem dá muito trabalho, aguenta-se perfeitamente a brincar sozinho durante algum tempo e não chateia ninguém. Isto porque ouço histórias de algumas que são de puxar os cabelos!

 

Há algum tempo em conversa com uma amiga acerca deste assunto, em que ela contava o desespero de um casal amigo com um recém nascido, dizia-me ela: "Mas eles achavam o quê? Que iam ter um boneco?" Pergunta que também a mim já me fizeram (e o que eu gosto que me digam isto nem vos passa).

Ninguém pensa que vai ter um boneco, óbvio, ninguém é burro ao ponto de achar que não vai dar trabalho, o problema é que só conseguimos ter uma noção clara da realidade depois de vivermos a experiência. Ponto. E é natural que, principalmente nos primeiros meses, os pais fiquem à beira de um colapso de nervos, é normal, de repente notam que a vida mudou, deu uma volta completa.

 

Ser mãe é uma coisa fantástica. Juro! Assim como acredito que seja para o pai. Voltando aos clichés concordo plenamente quando se diz que não existe sentimento igual. Mas aqui é um pouco como no jogo, pagar para ver, e vocês, pessoas sem filhos, por muito que leiam e escutem a vossa experiência será única e irrepetível. Vossa! Já imaginaram a magia disto? ;)

 

 

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5 comentários

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De hershinha a 27.03.2012 às 10:28

como mãe de primeira viagem consigo por-me nos teus sapatos. se há dias que tudo é uma risota porque o gajito descobriu o dedão do pé e bate palmas mas com a falta de coordenação anda a estalada consigo mesmo, outros é o desespero galopante porque com a asma tosse tanto que vomita o leite todo e outras maleitas afins... é uma aventura! e apesar de muitos opinarem eu acho que cada um tem a sua!
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De mae desmiolada a 27.03.2012 às 13:37

E não é que é mesmo verdade o que escreves?
Antes de ter filhos fiz imensas vezes as perguntas "será que vai valer a pena?" "será que não me vou arrepender?" sem nunca imaginar sequer o que estaria envolvido.
E as respostas são: sim, valeu a pena e sim, às vezes dou comigo a arrepender-me. Não acho que seja uma má mãe por confessar francamente que às vezes me dá uma de arrependimento (que depressa passa), mas experimentem ter uns putos de palmo e meio a "mandar" lá em casa :)
O que mais sinto falta é exactamente da liberdade que tínhamos antes e que agora só podemos ter quase por marcação, mas, e utilizando um grande cliché, o sentimento que temos pelos filhos e vê-los felizes e saudáveis compensa tudo :)
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De helena a 27.03.2012 às 17:29

É por estas e por outras que eu gosto tanto de aqui vir. Excelente texto.

Quanto à questão da liberdade, ela vai regressar, não tal e qual como antes de termos filhos, mas volta, oh se volta.

Um beijinho
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De Cátia a 28.03.2012 às 18:49

Nem imaginas como este texto chegou na hora certa e no momento certo para mim.
Pela primeira vez na vida, sinto verdadeiramente o relógio biológico a despertar furiosamente, mas o medo de não estar à altura de tremenda tarefa, tem-me feito adiar a decisão de ter filhos. Sempre tive uma lista de coisas que achava que eram necessárias atingir para sequer pensar em ter filhos: estabilidade no mundo profissional, alguma estabilidade financeira, a pessoa certa ao meu lado, e para grande surpresa minhas, essas condições estão agora reunidas. E se quando vejo um bébé me derreto toda, por outro arrepio-me e penso: será que vou ser capaz disto?
Nas últimas semanas, a conversa de bébés é cada vez mais presente na minha vida, mas havia sempre qualquer coisa que me fazia resistir. O teu texto é o mais verdadeiro que li sobre a maternidade, e não mostra apenas o lado encantador e bonito da coisa, mostra sim que é difícil, que sim é possível nos arrependermos e que isso não é crime nenhum, mas que sim, cada experiência é única e vale a pena.
E depois de ler o teu texto, tomei a decisão final: não, ainda não me sinto preparada. O medo ainda é mais forte do que eu, por isso vou ficar quieta no meu canto pelo menos mais um ano.
Obrigada por me ajudares sem saberes, e espero um dia ter a mesma capacidade fantástica que tivestes de analisar a maternidade, e de ser uma mãe tão boa como tu és.
beijinhos
Cátia
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De O BLog da S. a 27.09.2012 às 10:40

Daqui por um ano, já está previsto eu estar grávida.
A cabeça enche-se de dúvidas e medos, mas também de anseios e vontade.

E este teu post deu-me ainda mais vontade! :)
Obrigada dona Gaja

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