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"...Mais ainda, deixe-me dizer-lhe uma coisa que não confiei ainda a ninguém. A minha avó tinha uma teoria muito interessante, dizia que embora todos nasçamos com uma caixa de fósforos no nosso interior, não os podemos acender sozinhos, precisamos, como na experiência, de oxigénio e da ajuda de uma vela. Só que neste caso o oxigénio tem de vir, por exemplo, do hálito da pessoa amada;  a vela pode ser qualquer tipo de alimento, música, carícia, palavra ou som que faça disparar o detonador e assim acender um dos fósforos. Por momentos sentir-nos-emos deslumbrados por uma intensa emoção. Dar-se-á no nosso interior um agradável calor que irá desaparecendo pouco a pouco conforme passa o tempo, até vir uma nova explosão que o reavive. Cada pessoa tem de descobrir quais são os seus detonadores para poder viver, pois a combustão que se dá quando um deles se acende é que alimenta a alma de energia..."

De Laura Esquivel em "Como Água para Chocolate"

 

 

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7 comentários

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De Kok a 30.03.2008 às 02:30

E contudo às vezes não é fácil encontrar a tal vela.
Elas, as velas, são tantas que muitas vezes nos acendem um fósforo que logo se apaga, como que soprado por uma qualquer traiçoeira ventania.
Todavia continuaremos procurando, enquanto tivermos fósforos prontos a acender.
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De **** a 30.03.2008 às 14:34

Este excerto fez-me sorrir...

Lembrou-me dum dos meus contos de infância preferidos em que uma rapariguinha, uma podre vendedora de fósforos, uma personagem do imortal Hans Christian Andersen, passa a noite de ano novo a acender os fósforos, um a um, maravilhando-se com cada chama. É um pouco como a vida que passamos a acendê-los e a vê-los apagarem-se até ao momento em que, com o nascer dum novo dia e dum novo ano, o último se apaga e lá ficamos no passeio enquanto os outros passam e dizem "só queria aquecer-se" sem imaginarem o quão feliz se pode ser enquanto se "acende fósforo...apaga fósforo...acende fósforo...apaga fósforo".

Beijos e que tenhas direito a muito mais fósforos,
Sophia
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De Luana a 31.03.2008 às 18:00

Oi Sophia e Susana... eu lembro-me tão bem desse conto... também sempre o adorei... um dia representei esse conto num teatro quando eu era pequena... fiz de avó mas pronto... o que interessa é participar... nunca mais pensei nisso e agora veio esta lembrança... bons tempos que não voltam... Bj Luana
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De livros2amao a 30.03.2008 às 21:44

Nunca li nada desta autora, mas apreciei a citação :)

"...Cada pessoa tem de descobrir quais são os seus detonadores para poder viver, pois a combustão que se dá quando um deles se acende é que alimenta a alma de energia..."

Boas leituras!
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De Ana a 31.03.2008 às 11:08

Cada qual com a sua vela, ou diversas velas.
Umas brilham mais que outras, mas isso é como tudo.

Beijinhos*
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De Luana a 31.03.2008 às 17:56

Ai ai... já não se fazem velas como antigamente... parece que as de agora gastam a cera tão rápido que tamos sempre a gastar o fosforo...
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De Liliana a 31.03.2008 às 22:20

Olá!!!

Não percebi lá muito bem este post, mas também tenho ainda 13 anos, é normal...

Obrigado por os comentários ao meu blog...

Também a acho muito gira...

Beijinhos!!!

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