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24
Set14

A verdade é que ao longo dos anos tenho vindo a tornar-me cada vez mais, como direi, insensível. Aquela ingenuidade de acreditar que a bondade e a humildade fazem parte da maioria das pessoas, morreu, foi-se, acabou. Mais precisamente no ano passado em que de repente alguma luz acendeu-se na minha mente e comecei a ver alguns assuntos com outros olhos. 

 

Aquela história do dar sem receber algo em troca é das tangas mais bem elaboradas de todos os tempos, porque o que esta treta provocou foi fazer com que os receptores das dádivas achassem que nem um obrigado era necessário.

 

Então andamos assim, uns a dar e (alguns) outros a sentirem-se no direito de receber. 

Exemplo disso foi daquela vez que uma qualquer organização entrou em contacto comigo. Que ajudavam famílias em situação difícil e que as criancinhas não tinham nada, coitadinhas. E eu logo de coração apertadinho, que sim que iria ajudar (as mensagens trocadas eram de uma fofura sublime). Combinou-se uma data para virem levantar as ofertas. E eu numa altura com trabalho até ao telhado, fiquei a dever horas à família e à cama para ter tudo pronto a horas. E no dia e hora que estava marcado ninguém respondia às minhas mensagens (lá se foi a fofura).

Finalmente alguém se dignou a ligar-me e as palavras foram "tem que me vir entregar isso na morada tal" (ooooiiii?)

A arrogância foi tal que fiquei na dúvida se a mandava logo à merda ou aguardava 5 minutos. 

No dia seguinte acho, para não se arranjar mais chatices, o meu rapaz lá foi entregar aquilo num sítio combinado. Até hoje não sei bem o que aconteceu às coisas pois nem uma palavra tive de volta....

 

Ou de uma outra organização bem conhecida que também vieram levantar as coisas e nem uma palavra de volta, ou de pessoas que usam estratégias bem inteligentes para receberem ofertas, que no início de qualquer conversa são umas simpatias e quando notam que não vai "cair" para o lado delas tornam-se misteriosamente umas bestas e por aí fora....

Tenho muitas histórias, muitas mesmo. Mais do que aquelas que gostaria de ter. 

Talvez assim ainda vivesse na ingenuidade de que a caridade até é uma coisa muito bonita.

 

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