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Parece ser um código a seguir desde há uns anos a esta parte. Já faz parte da sociedade e por isso lá vai tudo em rebanho tentando sempre comprar o melhor, o mais caro, o mais moderno, o mais original para os seus filhos. Não acredito que seja essencial a maioria das "tralhas" que se compram para as crianças, nem que com isso estejam a ajudar por aí além ao seu desenvolvimento, mas claro, fica sempre bem dizer às visitas que aquela espreguiçadeira ali no canto da sala veio directamente da Bélgica por Fedex.

E por arrasto seguem as roupas de marca, os cremes mais caros, o último berro dos carrinhos de bebé (a partir de 500€ é sempre a melhor escolha), a almofada anatómica, o urso anatómico, a chucha anatómica, os lençóis hipoalergénicos, o melhor pediatra do país, os melhores brinquedos and so on...

 

 

O meu filho tem 5 meses e tenho feito finca-pé de borrifar-me para essas tretas todas. Quase tudo o que ele tem foi oferecido, por amigos, família. Coisas que já pertenceram a outras crianças. Coisas com história dentro. Coisas usadas mas com muito valor para mim, o valor do agradecimento que tenho para com essas pessoas.

O meu filho tem uma cama para dormir, tem lençóis lavados, os brinquedos suficientes, roupa limpa e engomada, toma banho numa banheira do IKEA com uma esponja do Minipreço, usa gel na água da Jonhson´s, óleo da mesma marca de lavanda e tem a pele que é um mimo. Usa fraldas e toalhitas do Pingo Doce e nunca teve uma única alergia.

A espreguiçadeira dele é uma cadeira que já pertenceu a 3 irmãos e ele gosta muito de lá estar, a ver tudo o que o rodeia, a ver-me a cozinhar, a comer a sua papa.

 

Fico com a impressão que hoje em dia os pais "entregam" a educação dos seus filhos nas mãos de coisas, pessoas, instituições. Terão medo que se os filhos não tiverem determinados objectos fiquem atrasados em relação aos outros, que se não tiverem a mais espampanante festa de aniversário fiquem mal vistos. Colocam a sua educação à responsabilidade das escolas e professores e esquecem-se que ela começa sempre, SEMPRE em casa.

 

Fico com a impressão que os valores andam invertidos. Que se tenta primeiro mostrar aos outros, que isso sim é que é importante, o quarto da criança copiado da revista de decoração e a festa de Baptizado com 300 pessoas, quando no fundo, e esta é quase uma certeza minha, a de que a criança estará pouco ralada com tudo isso.

 

"O meu filho tem mais coisas que o teu"

 

Coisas, coisas, coisas....

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