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11
Mar08

 

 

A segunda participação para a continuação da história do blog conto Eu ou contas Tu foi escrita pela Ladybug do blog Baby Steps

 

 

Catarina começava a estalar de impaciência. Se por um lado tinha vontade de se render ao sono, por outro, queria esperar por Bruno. Devia-lhe isso. Afinal, ele tinha ido à rua de propósito comprar leite para ela. Não tinha que o fazer. A “exigência” do leite tinha-lhe saído da boca num impulso. Não era pelo leite... Queria estar presente na vida dele, mas não queria tornar-se apenas mais um hábito para ele... como o whisky ou o leite... Queria apenas participar dos rituais dele, queria partilhá-los com ele. Queria sentir o que ele sentia quando bebia o leite. Se era importante para ele, seria importante para ela.
 
E não queria que ele a tomasse como certa.  Tinha entrado nesta relacção meio a medo, meio curiosa. Era nova na empresa quando se conheceram. Ainda mal estava recomposta do seu divórcio quando conheceu o Bruno. Tinha-se instalado em Lisboa há pouco tempo, conhecia pouca gente e as pessoas que conhecia eram, na sua maioria, conhecimentos profissionais. Por isso, quando o seu trabalho se cruzou com o de Bruno, por força das circunstâncias, a proximidade acabou por ser inevitável. Com o tempo foram-se conhecendo melhor, e Catarina começou a dar consigo a querer antecipar as reuniões com ele, a pensar nele com frequência, a inventar desculpas para falarem. Havia algo nele que a encantava. Havia algo nele que a fazia sentir segura e pressentia que as coisas seriam diferentes desta vez. E quando ele a convidou para jantar, sem qualquer pudor,  com o seu sorriso engraçado e ar distraído, não pôde recusar. Tinha-se apaixonado por ele. E desde então tinham-se tornado no porto de abrigo um do outro...
 
Quanto ele lhe contou do seu problema com o alcool, ficou surpreendida apenas. Tinha-o posto num pedestal. Sempre com um pé atrás, sim, mas... até à data não lhe conhecia “defeitos”, por isso, ficou efectivamente surpreendida. Nada mais do que isso. Ela sabia o que era ter telhados de vidro. Oportunamente, também ela teria uma história para partilhar com ele. Mas primeiro tinha que encontrar Laura, falar com ela, saber como ela estava, por um ponto de final naquela história. Laura era irreverente, extravagante, impulsiva e ela era o reverso da medalha. Doce, ponderada, calma, afectuosa. Nunca quis que as coisas tivessem acabado assim... E agora que estava de volta a Lisboa, sabia que tinha que a procurar.

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