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15
Jan08

Na sequência de uma reportagem que vi aqui há dias sobre uma experiência de um jornalista que se submeteu durante dois meses a um regime vegetariano e também depois do jantar onde estive ontem, apeteceu-me abordar este tema.

Nem a propósito, neste convívio familiar, estava presente um casal que tem feito uma dieta específica, quanto a mim um pouco descabida, visto que, pelo que percebi, podem comer a carne ou o peixe que entenderem mas o resto dos alimentos têm de ser dosados. Por exemplo, no pequeno-almoço só poderá comer uma e nunca mais do que uma tosta com fiambre, mas se lhe apetecer devorar 750g de fiambre estará livre de culpas. Não sou nutricionista por isso não posso avaliar a cem por cento se isto estará correcto ou não, mas não consigo deixar de achar isto um pouco....estranho.

Neste mesmo jantar surgiu uma conversa de primos, onde é sempre permitido certas confianças, por vezes exageradas.

"Qualquer dia, por esse andar, vais parecer um Porta-Aviões..."

Uma pessoa obesa, nestes casos, normalmente defende-se de duas maneiras. Ou ri-se e entra na brincadeira ou então manda o outro para a coisa que o pariu.

Mas aqui, estou a falar de uma adolescente que ainda não tem os anos necessários nem a auto-afirmação que a idade vai trazendo a cada um de nós.

A mãe da adolescente, chama a atenção do primo. Que ela ainda é uma miúda e que essas coisas não se deverão dizer.

Por vezes a defesa da nossa mãe faz-nos isto e foi o suficiente para a miúda baixar as armas e fugir dali a chorar.

E foi um choro justo, devo dizê-lo. Uma pessoa obesa não tem de ser alertada para o facto. Ela própria, melhor do que ninguém o sabe.

E agora também poderíamos iniciar uma discussão do género: Então mas se sabem porque é que não fazem nada para o contrariar?

A meu ver tem tudo a ver com hábitos. Nós, seres humanos somos bastante "programáveis", mas claro, até uma certa idade. É evidente que, se uma criança a partir dos seus dois ou três anos, for habituada a uma alimentação regrada e que ao longo do tempo se mantenha afastada da junk food, é mais que natural que no seu futuro, como adulto, tenha tendência a seguir a mesma orientação alimentar.

Agora, numa fase adulta ou até mesmo adolescente, mudar todos os hábitos adquiridos ao longo dos anos? É díficil, caramba!

E faz-me voltar novamente à história daquele casal. Não pude deixar de notar, enquanto descreviam aquela dieta inovadora, um certo fundamentalismo. Pareceu-me acima de tudo contra-natura, reforçando esta minha teoria quando afirmaram que na altura das festas de Natal e afins, colocaram a dieta de lado para se deliciarem com os prazeres da mesa típico dessa época.

 

Voltando-me para mim e noutro registo.

Eu sei que o tabaco me faz mal. Porque sei. Tenho plena consciência disso. Não é preciso andarem constantemente a alertar-me para o facto.

Porque é que não deixo de fumar?

Porque criei este hábito e já tem alguns anos.

É díficil, caramba!

 

 

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